Capacitados por uma Unção

“Amaste a justiça e odiaste a iniqui­dade; por isso Deus, o teu Deus, te ungiu com o óleo da alegria como a nenhum dos teus companheiros” (Hebreus 1:9).

 

Há uma tendência moderna entre os homens de deixar tudo o que diz res­peito à justiça e à retidão nas mãos da divindade, qualquer que seja o conceito de divindade.

ntretanto, eu creio que o nosso Senhor Jesus acabou com nossas desculpas humanas e inaceitáveis para a falta de poder espiritual quando nos deixou sua promessa, antes da sua morte e ressurreição:

“Quando vier, porém, o Espírito da verdade, ele vos guiará a toda a verdade; porque não falará por si mesmo, mas dirá tudo o que tiver ouvido, e vos anunciará as cousas que hão de vir. Ele me glorificará porque há de receber do que é meu, e vo-lo há de anunciar. Tudo quanto o Pai tem é meu; por isso é que vos disse que há de receber do que é meu e vo-lo há de anunciar” (João 16.13-15).

Admito que não somos Deus e que não podemos fazer em nós . mesmos o que Deus pode. Mas podemos fazer o que Jesus, o Filho do Homem, foi capaz de fazer no seu ministério terreno graças ã unção do Espírito Santo e à sua pre­sença em nós.

Jesus foi capacitado

Hebreus 1.9 nos diz que uma unção do Deus Pai estava sobre o Deus Filho. Este verso se refere à unção do Espírito Santo que veio sobre Jesus quando ele foi batizado no rio Jordão por João. Enquanto o Senhor Jesus esteve na terra, ele não realizou obras de poder na força da sua divindade.

Acredito que ele as fez na força e na autoridade de sua humanidade ungida pelo Espírito.

Se Jesus tivesse vindo à terra e executado seu ministério no poder e na au­toridade da sua divindade, as coisas que ele fez seriam absolutamente normais – Deus pode fazer tudo o que ele quiser. Ninguém questionaria as suas obras, pois que seriam obras da divindade.

Mas ele encobriu sua divindade e ministrou como homem. Ele não começou seu ministério de obras de autoridade e poder até que estivesse completamente ungido pelo Espírito Santo.

Obras milagrosas

Há entendidos em teologia que não irão concordar comigo, mas assim mesmo eu lhes asseguro que é verdade: foi no poder e na autoridade da sua humanidade ungida pelo Espírito Santo que Jesus acalmou as ondas do mar, aquietou os ventos, abriu os olhos dos cegos e exerceu autoridade sobre demônios.

Ele fez todas estas obras milagrosas entre os homens não como Deus – o que não teria sido milagre algum  – mas como homem, o que foi extraordinário, pois ele era um homem ungido com o Espíritoto Santo para fazer tais obras.

É por esta razão que eu digo que Jesus Cristo acabou com as nossas desculpas humanas para sempre – porque foi a unção do Espírito Santo que o capacitou a fazer tais obras. E esta unção está disponível hoje para todo cristão com­prado pelo sangue de Jesus. Podemos ser capacitados a viver e a servir no poder e autoridade do mesmo Espírito que estava sobre o nosso Salvador.

Hebreus 1.9 nos fala que esta unção é o “óleo da alegria”. Eu me alegro em dizer para as pessoas que o poder do Espirito é um poder de alegria.

Ele não pode ser escondido. Se alguém se aproximasse do sacerdote ungido no Antigo Testamento, ele teria dito: “Sinto cheiro de unção! Você cheira a óleo santo!” O aroma, o sabor, a fragância estavam lá. Tal unção não podia ser mantida em segredo.

Algo acontece

Ninguém pode ser genuinamente ungido com o Espírito Santo e mante-lo em segredo. Um irmão em Cristo me confidenciou sua própria experiência de tentar manter em segredo a plenitude do Espírito em sua vida. Passaram-se três dias quando, de repente, sua esposa o pegou pelo braço e perguntou-lhe: “Everett, o que houve com você?” Seu testemunho, então, fluiu. Ele havia recebido uma unção.

A fragância do Espírito Santo não pode ser escondida. A esposa dele notou no seu próprio lar: a fragância das graças espirituais e os frutos da vida consagrada e submissa não podem ser escondidos.

É uma unção com o óleo da alegria.

Eu também notei em Hebreus 1.9 que a unção que Deus colocou sobre Jesus era uma unção como a de nenhum dos seus companheiros. Porém, sinto que a unção era superior a dos seus companheiros não porque Deus resolveu ungi-lo mais, mas porque ele queria – ele podia ser tão ungido!

Creio que o certo é dizermos que havia mais óleo santo de Deus sobre a cabeça de Jesus do que sobre a minha, sobre a sua, ou sobre a de qualquer pessoa que já viveu nesta terra. Isso não quer dizer, porém, que Deus esconde de nós o melhor que ele tem. O Espírito Santo de Deus só pode ungir-nos de acordo com a nossa vontade.

Condições a serem satisfeitas

Hebreus 1.9 relata que Jesus tinha uma unção especial porque ele amava a justiça e odiava a iniquidade. Certamente esta é a dica que precisamos acerca do tipo de pessoa que recebe a unção e a bênção do Deus onipotente.

Nosso Senhor Jesus, quando na terra, não era o tipo de pessoa passiva, sem graça, fraca, que aparece em muitas fi­guras e em algumas páginas da literatura.

Ele era um homem forte, de uma von­tade de ferro, capaz de amar ardente­mente e capaz de odiar da maneira mais profunda a iniquidade e tudo o que era errado, mau, egoísta e pecaminoso.

Alguém dirá com convicção: “Não creio que Jesus fez isso. Sempre pensei que fosse pecado odiar!” Se você estu­dar bem as palavras e os ensinamentos de Jesus, enquanto na terra, você terá a resposta! É pecado os filhos de Deus não odiarem aquilo que deve ser odiado!

O Senhor Jesus amava a justiça, mas Ele odiava a iniquidade. Creio que po­demos dizer que Ele odiava perfeitamen­te o que era maligno.

Aqui temos algumas coisas que de­vemos estar prontos para enfrentar se somos cristãos consagrados, verdadeiros discípulos do Cristo crucificado e ressurreto:

• Não podemos amar a honestidade sem odiar a desonestidade;
• Não podemos amar a pureza sem odiar a impureza;
• Não podemos amar a verdade sem odiar a mentira e o engano;

Se pertencemos a Jesus Cristo, precisa­mos odiar o mal assim como Ele o odiou.

A capacidade de Jesus Cristo de odiar tudo o que era contra Deus e de amar tudo o que era de Deus é que o tornou apto a receber a unção – o óleo da ale­gria – de maneira completa.

É possível que Deus aparte-se de nós se não estivermos desejosos de seguir Jesus no seu grande amor pelo que é certo e bom e no seu santo, e puro ódio pelo que é maligno.

Os cristãos de hoje, pelo menos de uma maneira geral, têm sido enganados e têm se deixado levar por uma geração de pregadores “delicados”, que os ensi­nam que para ser um bom cristão é pre­ciso saber ser “manso”, “suave”, e acei­tar tudo o que vem com “compreensão e tolerância cristã”. Estes ministros nunca mencionam palavras como zelo, convicção e compromisso, nem expres­sões como “estar do lado da verdade”.

Estou convencido de que um verdadei­ro cristão irá demostrar zelo por Cristo. Ele irá viver a cada dia com convicções espirituais tiradas da Bíblia. Ele será um dos que dificilmente abdicará da sua posição de “estar humildemente do lado de Cristo”.

Cessando a unção

Tenho colocado estas coisas porque creio que o óleo da alegria, a unção aben­çoada do Espírito Santo não está tendo oportunidade para fluir livremente nos membros da Igreja de hoje. Somos “queridinhos” demais! Somos tolerantes demais! Ansiámos demais por tornarmo-nos populares. Somos muito rápidos arranjar desculpas para o pecado, em suas muitas formas.

Deus nos concedeu vontade própria, com a qual todo cristão pode regular seu calibre espiritual. Se não pagarmos o preço para sermos alegremente dirigidos pelo Espírito Santo, se nos recusarmos a odiar o pecado, o que é errado, e o que é maligno, devemos nos juntar a algum grupo que prometa que iremos para o céu em troca de nada.

Nosso Senhor Jesus Cristo está ao lado direito da Majestade nos céus, interce­dendo por nós e representando-nos. Ele nos pede para estarmos em amor e devocionados a ele, a fim de que venhamos a conhecer o prêmio: ouro, prata e pedras preciosas — aquilo que irá durar para sempre, mesmo quando passar pelo fogo do julgamento vindouro.

19/10/2012Publicado por: Impacto

Categorias: Arauto / Capacitados por uma Unção

Arauto - Ano 07 - nº 01 - Jan/Mar 1989

Por: A.W.Tozer

 

Fonte: https://www.revistaimpacto.com.br/capacitados-por-uma-uncao/

 

 

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